Publicado em 10 de Outubro de 2017

Ortografia: veja 5 abordagens que podem aparecer no Enem

Segundo o professor Diogo Xavier, a cobrança do tema ocorre de maneira diferente entre a redação e a prova em si de linguagens

Pixabay.

Dedicar tempo ao estudo da ortografia da língua portuguesa é um passo fundamental quando o foco é a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O respeito à norma culta é uma das principais exigências da prova, que também não permite fuga do tema proposto. Mas quando falamos da prova de linguagens em si, a ortografia aparece mais sem segundo 

A explicação é de Diogo Xavier, professor de linguagens com experiência em cursos preparatórios para o Enem. De acordo com o educador, de fato a ortografia tem “um peso muito grande para a redação”, diferente do Exame como um todo. Em entrevista ao LeiaJá, Xavier demonstrou como as abordagens ortográficas podem surgir em diferentes momentos da prova, de maneira vinculada aos demais assuntos de português.

Confira, a seguir, as dicas do professor Diogo Xavier:

1 - Pode vir na abordagem de variação linguística, mostrando um determinado desvio ortográfico como a representação da fala de uma determinada variante regional, como o "nó", mineiro, que abrevia o "nossa senhora". Também a variação coloquial, como a mudança do dígrafo lh para ditongo: "oia, espaia", em vez de "olha, espalha".

2 - O reconhecimento da mudança histórica também pode ser explorado, como no "cousa", hoje em desuso, mas tão comum em obras de Machado de Assis e José de Alencar, por exemplo.

3 - Outro ponto possível seria a liberdade poética em textos literários e letras de músicas por uma questão estética. A música Admirável Chip Novo, da cantora Pitty, por exemplo, num trecho diz: "Pane no sistema, alguém me desconfigurou, AONDE estão meus olhos de robô?". Apesar de desviar da norma padrão, o uso do termo AONDE é necessário para manter o ritmo do verso em relação ao resto da música.

4 - O modernismo, em especial a primeira geração, pode ser explorado também, uma vez que o movimento visava a uma ruptura de estética e de linguagem, recorrendo a desvios da norma padrão, como em "Vício da Fala", poema de Oswald de Andrade.

5 - A prova não costuma exigir que o aluno conheça a ortografia padrão de vocábulos, com exceção da redação, claro. As questões já deixam claro, em geral, ao candidato que ali há um desvio do padrão para que seja analisado como um recurso, ou como uma variação, por exemplo.

fonte:leiaja